Escrito por Frode Skar, jornalista financeiro.
Países europeus se unem para desenvolver defesa aérea de baixo custo

Países europeus se unem para desenvolver defesa aérea de baixo custo após as lições da guerra de drones
Cinco das maiores potências militares da Europa anunciaram uma iniciativa conjunta para desenvolver sistemas de defesa aérea de baixo custo de forma mais rápida e eficiente. A decisão ocorre após as experiências da guerra na Ucrânia, onde o uso massivo de drones alterou profundamente tanto a estratégia quanto a lógica econômica dos conflitos modernos.
Os ministros da Defesa do Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Polônia apresentaram o projeto na sexta-feira. Segundo eles, a iniciativa fortalecerá a segurança coletiva dentro da OTAN e, ao mesmo tempo, ampliará a cooperação europeia no setor de defesa.
O foco principal é criar uma defesa aérea de baixo custo capaz de ser produzida rapidamente em grande escala e utilizada contra drones de pequeno e médio porte.
Drones mudaram a economia da guerra
O conflito na Ucrânia demonstrou que drones relativamente baratos podem causar danos significativos no campo de batalha e além da linha de frente. Ao mesmo tempo, revelou um desequilíbrio financeiro nos sistemas tradicionais de defesa aérea.
Em diversos casos, mísseis extremamente caros foram utilizados para interceptar drones que custam apenas uma fração desse valor. Esse modelo é economicamente insustentável em conflitos prolongados, onde a resistência financeira se torna tão importante quanto a capacidade militar.
A defesa aérea de baixo custo, portanto, não representa apenas uma evolução tecnológica, mas uma necessidade estratégica e orçamentária diante de ameaças assimétricas cada vez mais frequentes.
Desenvolvimento rápido e produção em massa
O ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, destacou que o objetivo é desenvolver sistemas inovadores de forma rápida e acessível, especialmente voltados para a defesa contra drones, e depois produzi-los em larga escala.
Isso representa uma mudança em relação aos processos tradicionais de aquisição militar, que costumam ser lentos e caros. A guerra na Ucrânia mostrou que velocidade e volume de produção podem ser fatores decisivos.
O ministro da Defesa da Polônia, Wladyslaw Kosiniak Kamysz, afirmou que os sistemas de drones revolucionaram a guerra na região e já levaram à revisão de estratégias de armamento em toda a Europa.
Uma OTAN mais europeia
A iniciativa também tem forte dimensão política. Países europeus enfrentam crescente pressão para assumir maior responsabilidade por sua própria segurança.
Os ministros declararam que o projeto contribuirá para uma OTAN mais europeia, com maior protagonismo e capacidade de ação por parte dos membros do continente.
Em um cenário de incertezas geopolíticas, guerra prolongada na Ucrânia e tensões globais, o investimento em defesa aérea de baixo custo faz parte de uma estratégia mais ampla de fortalecimento da autonomia estratégica europeia.
Impacto industrial e econômico
O desenvolvimento de defesa aérea de baixo custo pode gerar efeitos industriais relevantes na Europa, incluindo:
- Aumento de investimentos em tecnologia de defesa europeia
- Expansão da capacidade produtiva do setor
- Criação de empregos qualificados na indústria tecnológica
- Maior competitividade frente a fornecedores americanos e asiáticos
A produção em grande escala de sistemas mais acessíveis também pode ajudar a conter o crescimento acelerado dos gastos militares observados desde 2022.
Nova lógica na defesa aérea
Os sistemas tradicionais de defesa aérea foram projetados principalmente para interceptar aviões de combate e mísseis balísticos. Eles nem sempre são adequados para enfrentar enxames de drones pequenos e de baixo custo.
A iniciativa europeia de defesa aérea de baixo custo reflete o reconhecimento de que os conflitos do futuro serão marcados por ameaças tecnológicas e assimétricas. Sustentabilidade financeira, escalabilidade e flexibilidade serão fatores tão importantes quanto a capacidade militar convencional.
Se for bem sucedida, essa estratégia poderá redefinir tanto a arquitetura de defesa aérea da Europa quanto sua política industrial no setor de defesa nas próximas décadas.
