Escrito por Frode Skar, jornalista financeiro.
O bitcoin encontra resistência após o rebote enquanto o medo atinge níveis vistos em 2022

O preço do bitcoin trava perto de 71.000 dólares em ambiente de forte aversão ao risco
O preço do bitcoin perdeu força após o rebote registrado na semana passada e encontrou resistência clara na região dos 71.000 dólares. Cada vez mais participantes do mercado passam a interpretar o movimento como um típico rali de alívio dentro de um mercado em queda, e não como o início de uma nova tendência de alta sustentada.
A perda de impulso ocorre em um contexto de sentimento extremamente negativo. Indicadores de confiança apontam níveis de medo semelhantes aos observados durante a crise de 2022, enquanto a liquidez e a participação seguem diminuindo nas principais plataformas de negociação. O cenário reforça a percepção de um mercado frágil, marcado por cautela e baixa convicção.
O rebote perde fôlego após queda com sinais de capitulação
Na semana passada, o bitcoin caiu rapidamente para a faixa dos 60.000 dólares, em um movimento que apresentou características de capitulação, com liquidações aceleradas e fortes oscilações intradiárias. Em seguida, compradores entraram no mercado e impulsionaram uma recuperação rápida ao longo do fim de semana, levando o preço novamente em direção aos 70.000 dólares.
No entanto, o avanço não foi acompanhado por volume consistente. Sem continuidade, o movimento perdeu força e o preço do bitcoin voltou a mostrar dificuldade para sustentar níveis mais elevados. Esse padrão é comum em fases de mercado baixista, nas quais rebotes rápidos atraem compradores de curto prazo antes de esbarrarem em nova pressão vendedora.
A oferta limita o avanço do preço do bitcoin
Analistas destacam a existência de uma oferta significativa acima dos preços atuais. Muitos investidores que entraram em níveis mais altos aproveitam cada recuperação para reduzir exposição, criando um teto persistente próximo às zonas de resistência.
A região em torno de 71.000 dólares tornou se um ponto crítico. Todas as tentativas de rompimento até agora foram neutralizadas por novas vendas, reforçando a leitura de que a tendência predominante segue fraca para o preço do bitcoin.
Risco de novo teste de suportes de longo prazo
Diversos observadores alertam para a possibilidade de o bitcoin voltar a testar suportes importantes de longo prazo. O foco recai especialmente sobre a área próxima à média móvel de 200 semanas, localizada em torno dos 60.000 dólares.
Em um mercado com liquidez reduzida e confiança abalada, até uma pressão vendedora moderada pode acionar ordens automáticas e liquidações forçadas. Esse efeito em cadeia tende a acelerar movimentos de queda sem a necessidade de um evento negativo específico.
O sentimento retorna a extremos semelhantes aos de 2022
Indicadores de sentimento confirmam o clima de tensão. O índice Crypto Fear and Greed chegou recentemente a níveis comparáveis aos observados durante a forte crise do setor em 2022. Embora tenha havido uma leve recuperação, o indicador permanece em zona de medo extremo.
Essas leituras indicam baixa disposição ao risco e falta de convicção entre os participantes. Historicamente, esse ambiente pode anteceder tanto períodos de estabilização quanto fases prolongadas de fraqueza, dependendo da evolução da liquidez e do contexto macroeconômico.
A baixa liquidez amplifica a volatilidade
A redução da liquidez é um dos principais fatores por trás das oscilações recentes. Os livros de ordens nas grandes corretoras estão mais rasos, tornando o preço do bitcoin mais sensível a fluxos relativamente pequenos de compra ou venda.
Nesse ambiente, movimentos modestos podem gerar variações significativas, acionando stops e novas liquidações. O resultado é um comportamento errático, com grandes oscilações em curtos intervalos de tempo.
O volume de negociação segue em queda
Dados de mercado mostram uma retração clara da atividade desde o fim de 2025. Os volumes agregados no mercado à vista das principais exchanges centralizadas caíram cerca de 30 por cento, com os volumes mensais recuando de aproximadamente 1 trilhão de dólares para perto de 700 bilhões.
Embora tenham ocorrido picos pontuais durante momentos de maior volatilidade, a tendência geral permanece negativa. Isso sugere uma saída gradual de participantes, e não um evento único de liquidação em massa.
Investidores de varejo se afastam de forma gradual
Diferentemente de episódios anteriores marcados por pânico generalizado, o cenário atual aponta para uma retirada mais silenciosa dos investidores de varejo. Muitos parecem deixar o mercado de forma progressiva, sem provocar volumes extremos.
Esse tipo de dinâmica costuma resultar em períodos prolongados de consolidação ou enfraquecimento, com vários rebotes frustrados antes que um fundo mais consistente seja estabelecido para o preço do bitcoin.
Uma correção dentro de um ciclo mais amplo
Analistas também enquadram o movimento atual dentro do ciclo histórico do bitcoin. Após atingir um pico próximo de 126.000 dólares no final de 2025 e início de 2026, o ativo entrou em uma correção profunda. A faixa entre 60.000 e 70.000 dólares representa uma queda superior a 50 por cento em relação às máximas.
Em ciclos anteriores, a formação de um fundo duradouro levou meses e foi marcada por diversas tentativas de recuperação que falharam antes de uma estabilização mais convincente.
O nível de 60.000 dólares segue como referência chave
No curto prazo, a região dos 60.000 dólares permanece como o principal nível de atenção. Enquanto esse suporte for defendido, o mercado pode permanecer em uma fase de consolidação volátil.
Caso esse patamar seja perdido, as mesmas condições de baixa liquidez e elevada aversão ao risco podem rapidamente desencadear um novo movimento de queda, especialmente se o cenário macroeconômico continuar desfavorável aos ativos de risco.
Um caminho ainda incerto para o bitcoin
O bitcoin se encontra em um ponto delicado, pressionado por resistências técnicas, sentimento extremamente negativo e redução da participação no mercado. O rebote recente não foi suficiente para alterar o quadro estrutural, mantendo o ativo vulnerável a novos episódios de volatilidade.
Para os investidores, o ambiente segue desafiador, com oscilações intensas e ausência de sinais claros de que um fundo sustentável já tenha sido alcançado.
