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Carney reage às declarações de Trump e enquadra o USMCA num novo contexto económico e geopolítico

Skrevet av Frode Skar Finans Journalist.

A resposta de Mark Carney às falas de Donald Trump, que o tratou como «governador», vai além de uma troca política. Em 2026, ela simboliza a transformação do comércio internacional num instrumento direto de poder económico e geopolítico. O USMCA tornou-se um eixo central dessa dinâmica.

Carney destacou que o Canadá compreendeu mais cedo do que outros países o alcance da mudança na política comercial dos Estados Unidos. Essa leitura levou a uma estratégia de fortalecimento interno e de diversificação de parceiros, reduzindo a dependência histórica do mercado norte-americano.

Para o Brasil, que busca ampliar acordos comerciais e reduzir vulnerabilidades externas, esse movimento é particularmente relevante. A fragmentação do comércio global cria riscos, mas também oportunidades para países capazes de se posicionar como parceiros confiáveis.

A assinatura de doze novos acordos comerciais e de segurança pelo Canadá em poucos meses demonstra uma estratégia clara de resiliência. Para a economia brasileira, ainda muito exposta a ciclos de commodities e tensões geopolíticas, a diversificação de mercados é um tema central.

A revisão iminente do USMCA aumenta a incerteza. Trump utiliza a retórica como ferramenta de negociação, pressionando aliados e mercados. Carney preferiu enquadrar essas declarações como parte de um jogo estratégico mais amplo, evitando escaladas desnecessárias.

O foco na segurança do Ártico revela impactos económicos indiretos. A estabilidade dessa região afeta cadeias globais de energia e logística. Para o Brasil, grande exportador de commodities, qualquer perturbação nessas rotas pode influenciar preços e fluxos comerciais.

Ao relembrar o papel do Canadá em missões da OTAN e na defesa de aliados, Carney reforça a imagem do país como parceiro confiável. Ao mesmo tempo, sinaliza que o Canadá não aceitará uma dependência económica excessiva.

Num cenário de volatilidade financeira, investidores globais procuram jurisdições previsíveis. A postura canadense pode atrair capital ao oferecer estabilidade institucional em meio à incerteza política nos EUA.

Para o Brasil, a mensagem é clara: políticas comerciais precisam estar alinhadas a uma estratégia geopolítica consistente. A dependência excessiva de poucos parceiros aumenta a exposição a choques externos.

O debate sobre o USMCA reflete uma reordenação mais ampla da economia mundial. Em 2026, comércio, segurança e política caminham juntos, exigindo maior sofisticação das estratégias nacionais.

Vår vurdering
A reação de Carney mostra que a soberania económica tornou-se inseparável da geopolítica. Para o Brasil, aprender com essa abordagem pode ser decisivo para garantir crescimento e estabilidade num cenário global cada vez mais fragmentado.

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