Novas regras da União Europeia para relatórios de sustentabilidade entram em vigor: o que as exigências significam para a economia brasileira em 2026
Skrevet av Frode Skar Finans Journalist.
A partir de 2026, entram em vigor novas e significativamente mais rigorosas regras da União Europeia para relatórios de sustentabilidade. O novo marco regulatório representa uma mudança estrutural na forma como as empresas devem documentar e divulgar seus impactos ambientais, sociais e de governança. Para empresas brasileiras com operações na Europa, acesso a investidores europeus ou inseridas em cadeias globais de valor, as novas exigências implicam maior complexidade, custos adicionais e responsabilidades ampliadas.
Embora o Brasil não faça parte da União Europeia, os efeitos do novo regime serão amplos. Expectativas do mercado financeiro, exigências de investidores internacionais e regras impostas por clientes europeus tornam o relatório de sustentabilidade uma necessidade prática para muitas empresas brasileiras em 2026.
Relatórios de sustentabilidade
Relatórios de sustentabilidade consistem na divulgação sistemática de informações sobre como as empresas impactam o clima, o meio ambiente, as condições de trabalho, os direitos humanos e a sociedade em geral. A partir de 2026, esse tipo de informação passa a estar muito mais integrado aos relatórios financeiros do que anteriormente.
As novas regras europeias exigem dados detalhados, padronizados e verificáveis. As empresas não poderão mais se limitar a declarações genéricas de compromisso. Será necessário apresentar indicadores quantificáveis, resultados mensuráveis e avaliações claras de riscos relacionados à sustentabilidade.
O contexto das novas regras
O endurecimento das exigências reflete o objetivo da União Europeia de direcionar o capital para atividades econômicas mais sustentáveis e reduzir o risco de greenwashing. A falta de padronização e a baixa qualidade das informações divulgadas até agora dificultaram a análise de riscos reais por parte dos investidores.
O relatório de sustentabilidade passa a ser tratado como uma ferramenta de governança financeira. Ao aumentar a transparência, os reguladores buscam melhorar o funcionamento dos mercados de capitais e acelerar a transição econômica.
Quais empresas são afetadas
As regras se aplicam inicialmente a grandes empresas e companhias listadas, mas seus efeitos se estendem muito além desse grupo. Ao longo do tempo, pequenas e médias empresas também serão impactadas por meio de exigências em cadeias de suprimento, critérios de financiamento e demandas de investidores.
Empresas brasileiras com subsidiárias na União Europeia, forte presença exportadora ou base de investidores europeus precisarão se adequar às exigências já a partir de 2026. Em muitos casos, a obrigação será indireta, mas economicamente inevitável.
Impactos sobre acesso a capital e investimentos
Os relatórios de sustentabilidade assumem um papel central nas decisões de investimento. Bancos, fundos e investidores institucionais utilizam essas informações para avaliar riscos, retorno esperado e resiliência de longo prazo.
Empresas que não conseguirem apresentar relatórios consistentes e confiáveis podem enfrentar custos de capital mais elevados ou restrições de financiamento. Por outro lado, aquelas com divulgação sólida e transparente podem obter melhores condições de crédito e maior interesse de investidores internacionais.
Dessa forma, a sustentabilidade se torna um fator econômico direto, e não apenas uma questão de imagem ou marketing.
Efeitos sobre o setor empresarial brasileiro
Para o setor empresarial brasileiro, as novas regras implicam custos relevantes de adaptação. Será necessário investir em sistemas de coleta de dados, controles internos, auditoria e capacitação profissional.
Setores como energia, mineração, agronegócio, indústria e transporte devem sentir os impactos de forma mais intensa. Ao mesmo tempo, maior transparência pode fortalecer a credibilidade das empresas brasileiras nos mercados internacionais.
Consequências para as famílias e o mercado de trabalho
De forma indireta, o aumento das exigências de relatório pode afetar a economia das famílias. Custos adicionais para as empresas podem se refletir em preços, margens de lucro ou decisões de investimento no curto prazo.
Por outro lado, o novo ambiente regulatório tende a gerar oportunidades de emprego em áreas como análise de dados, auditoria, compliance e consultoria em sustentabilidade. No longo prazo, isso pode contribuir para o fortalecimento da base de competências da economia brasileira.
Impactos macroeconômicos
No plano macroeconômico, o objetivo das novas regras é melhorar a alocação de capital e reduzir riscos sistêmicos. Ao tornar mais visíveis os riscos climáticos, ambientais e sociais, a economia pode se tornar mais resiliente a choques futuros.
A transição, no entanto, não será simples. Em 2026, muitas empresas deverão direcionar recursos significativos para o cumprimento das exigências, o que pode limitar investimentos produtivos no curto prazo.
Nossa avaliação
A entrada em vigor das novas regras europeias de relatórios de sustentabilidade em 2026 representa uma mudança estrutural na relação entre finanças e regulação. Para empresas brasileiras integradas à economia global, não se trata de uma escolha, mas de uma realidade estratégica.
No curto prazo, os custos e a complexidade aumentam. No longo prazo, o novo regime pode fortalecer a confiança dos mercados, melhorar o acesso ao capital e estimular uma criação de valor mais sustentável.
A forma como o setor empresarial brasileiro se adapta a essas exigências será determinante para sua competitividade internacional, sua capacidade de financiamento e o desenvolvimento econômico do país nos próximos anos.
