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Escrito por Frode Skar, jornalista financeiro.

O acordo de paz de Zelensky pode ir a referendo na primavera sob forte pressão dos Estados Unidos

O acordo de paz de Zelensky é ligado a eleições e referendo antes do verão

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, prepara se para anunciar planos que incluem a realização de eleições presidenciais e um referendo nacional sobre um possível acordo de paz já na primavera. Segundo o Financial Times, a iniciativa surge após intensa pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e de sua administração, que buscam uma solução política para a guerra antes do verão.

O anúncio deve ocorrer em 24 de fevereiro, data que marca o quarto aniversário da invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia. O plano prevê um calendário conjunto para eleições e referendo, no qual qualquer acordo de paz de Zelensky precisaria ser aprovado diretamente pela população ucraniana.

Ainda assim, o cronograma permanece frágil. Ucrânia e Rússia continuam distantes em questões centrais, especialmente no que diz respeito ao território. Uma intensificação dos ataques russos contra infraestrutura crítica ou uma escalada da ofensiva terrestre pode atrasar ou até inviabilizar todo o processo.

A pressão americana define o ritmo das negociações

Fontes próximas às negociações indicam que Washington é o principal motor desse calendário acelerado. A administração americana teria deixado claro que espera que todos os documentos necessários para encerrar a guerra sejam assinados até o fim de junho.

Zelensky reconheceu publicamente essa meta, afirmando que o objetivo é encerrar o conflito até o início do verão. A expectativa é de que os Estados Unidos exerçam pressão política constante sobre ambas as partes para manter as negociações dentro desse prazo.

Para Zelensky, o espaço de manobra é limitado. Qualquer acordo de paz de Zelensky precisa ser negociado no plano internacional e, ao mesmo tempo, legitimado internamente em um país que continua sob lei marcial.

O acordo de paz de Zelensky enfrenta obstáculos legais e políticos

O presidente ucraniano tem reiterado que é juridicamente impossível realizar eleições ou um referendo enquanto a lei marcial estiver em vigor. Milhões de ucranianos estão deslocados e cerca de 20 por cento do território nacional permanece sob ocupação russa.

Essas condições levantam sérias dúvidas sobre a legitimidade democrática do processo. Um referendo sobre um acordo de paz de Zelensky ocorreria em um país onde grande parte da população não tem acesso normal a locais de votação e onde o debate político é severamente limitado pelas condições de guerra.

Apesar disso, Zelensky sustenta que um acordo duradouro não pode existir sem aprovação popular direta. Sem um mandato dos eleitores, um acordo de paz careceria de estabilidade política no longo prazo.

O risco de decisões apenas simbólicas

Analistas políticos alertam que tanto as eleições quanto o referendo podem ter caráter majoritariamente simbólico se os temas mais sensíveis não forem resolvidos previamente. As concessões territoriais, em especial, representam um risco elevado de conflito político interno.

A Rússia segue pressionando para que a Ucrânia abra mão do controle de partes do Donbas, onde os combates continuam intensos. O governo em Kyiv rejeitou categoricamente esse tipo de exigência, o que reduz consideravelmente o espaço para um acordo de paz de Zelensky, independentemente da pressão americana.

Possíveis negociações diretas nos Estados Unidos

Paralelamente aos planos de eleições e referendo, Zelensky confirmou que Ucrânia e Rússia foram convidadas para conversas diretas e presenciais nos Estados Unidos. Miami é apontada como local possível, embora datas e detalhes ainda não tenham sido oficialmente confirmados.

A Ucrânia já confirmou sua disposição em participar. Caso o encontro se concretize, será a primeira vez que as duas partes se reúnem diretamente em solo americano desde o início da guerra, sinalizando uma nova fase do papel mediador dos Estados Unidos.

A última rodada de negociações trilaterais, realizada nos Emirados Árabes Unidos, não produziu avanços significativos. Enquanto isso, o conflito segue ativo, com ataques contínuos nas linhas de frente e contra a infraestrutura ucraniana.

A pressão militar segue no pano de fundo

Os esforços diplomáticos avançam em meio a uma pressão militar constante. As forças russas mantêm operações ativas, especialmente no leste da Ucrânia, utilizando avanços no campo de batalha como instrumento de negociação.

Esse cenário dificulta qualquer planejamento político. Uma escalada significativa pode rapidamente minar o apoio interno às negociações e comprometer a viabilidade de um acordo de paz de Zelensky.

Um momento político decisivo para Zelensky

Se os planos forem implementados, a primavera de 2026 pode se tornar um ponto de inflexão político para a Ucrânia. A combinação de eleições presidenciais e um referendo sobre um acordo de paz de Zelensky obrigaria o país a enfrentar questões fundamentais que permanecem em aberto desde o início da guerra.

Para Zelensky, os riscos são extraordinários. O resultado definirá não apenas seu futuro político, mas também a forma como sua liderança será avaliada no momento do encerramento do conflito.

Sob forte pressão dos Estados Unidos, diante da agressão russa contínua e de profundas limitações internas, a Ucrânia se aproxima de uma das decisões mais relevantes de sua história recente.

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